08 maio 2007

I'm back (for now!)

A pedido de várias famílias, aqui estou eu de novo para vos tentar relatar, se possível mantendo o nível (baixo), as minhas desventuras em Londres.
Como já percebi não ser fácil compatibilizar um blog diário, com a vida movimentada de Londres, passarei apenas a contar dias em que aconteça algo que possa ter alguma piada, ou seja, provavelmente só contarei as minhas noites de bebedeira. Que, diga-se de passagem, são mais ou menos sete por semana!!! Isso é que era bom!

Começo pela última quinta feira, para quando estava marcada uma noite da empresa.
Depois de um dia de trabalho pouco produtivo para todos, aliás já previsível pelas roupas “casual” que fomos autorizados a vestir, à semelhança das sextas feiras, fomos beber o copo de aquecimento para um pub da zona.
Apanhámos uns táxis e dirigimo-nos para um restaurante italiano, para comer umas pizzas e afins, bem boas por sinal. Jorraram cervejas, vinho e Frangelico.
Após o jantar, onde estavam umas 14 pessoas, quase todos se dirigiram para um bar para jogar snooker.
O festival de cerveja, Jack Daniels com Cola e uns shots marados, continuou por mais algumas horas, o que se traduziu nuns jogos de snooker cada vez mais demorados. Até aqui, foi tudo à conta da empresa.
Como a resistência de uns não é igual à de outros, os “uns” foram abandonando o bar(co), já visivelmente enjoados.
Restámos quatro: o Tuga, um Francês, um Germano-Panamiano e um Colombiano, que tinha vindo de bicicleta, comprada havia poucas semanas.
Para onde vamos agora? Para um bar de strip, naturalmente!
Entramos no strip club, chamado “The Axe” (O Machado), já depois do colombiano ter parqueado a bicla, com cadeado.
Não, lamento desapontá-los, mas desta vez não atirei moeda alguma a qualquer dançarina, nem tão pouco fui expulso.
A rábula, porém, era a mesma: as donzelas passavam com uma caneca de cerveja, para nós colocarmos uma Libra, antes da sua performance no varão. A língua dominante das piquenas era o Português de Iparaguaçú, de modo que eu pude brilhar junto dos meus colegas: “Que peito gostoso, sua cabrita!”, “Que bundinha bacana, sua sacana”, foram as frases elevadas que lhes ensinei a dizer.
Perto das 2:30, depois de esvaziarmos as nossas carteiras, saímos do bar e reparámos que a bicicleta havia sido roubada.
Uns 50 metros à frente estavam três putos, um deles montado na bicla. O colombiano e eu, começamos a andar na direcção deles, só que o puto da bicla começa a fugir e, por isso, nós começámos a correr atrás dele. Era uma luta desigual, quanto mais não seja, porque a nossa trajectória já não era muito recta. De qualquer modo, eu não parei de gritar algo edificante como: “I’m gonna get you, sun of a b****! You mother f*****!”, entre outros.
Passadas umas boas centenas de metros, já com os bofes de fora, perdemos o puto de vista.
Voltamos ao ponto de partida e quando lá chegamos, estavam o francês e o alemão a gritar selvaticamente com os dois putos que tinham lá ficado. Nós os dois juntamo-nos à festa.
Os putos deviam ter uns 14, 15 anos. O alemão, que geralmente é um tipo muito calmo e ponderado, agarrava o pescoço de um deles e, qual rottweiler raivoso, exigia que os putos nos levassem a casa do gatuno.
O colombiano, possesso, só dizia: “I’m a fucking Colombian, you’ve stolen the wrong bicycle”.
Eu gritava que era da Máfia italiana e que os mandava matar a eles e às respectivas famílias, se não nos levassem até casa do ladrão. Aproveitei para lhes roubar o maço de cigarros que traziam (o tabaco aqui em Londres é muito caro!)
Nisto, o colombiano simula uma chamada telefónica a ordenar a morte dos putos que, aterrorizados e em choro convulsivo, já diziam que o outro morava a 5 minutos dali.
Entretanto aparece o francês com uma picareta na mão, que descobriu numas obras ali perto, a ameaçar os miudos que os fazia em picadinho. Deve-se ter inspirado no “The Axe”. Aqui os putos não aguentaram e desataram a correr, berrando de choro e pavor.
Nós fomos todos atrás deles, a gritar e de punhos cerrados com gestos muito agressivos.
O francês, a meio da corrida, largou a picareta.
Às tantas, os putos entram por uma porta, que tinha ar de escola, ou coisa parecida, e nós entrámos também de rompante, mantendo os gritos e os gestos agressivos. Quando damos por nós, estávamos dentro de uma esquadra da polícia, cheia de tipos fardados, pelo que tivémos que nos acalmar rapidamente.
Valeu-nos que os polícias já conheciam os putos de outras andanças e que o francês tinha largado a picareta, senão tinha sido bonito.
Nem tivémos coragem de apresentar queixa formal, não fossem os guardas ver as imagens do CCTV, que estão espalhadas por Londres. Quem era preso, ainda éramos nós!!!
No dia seguinte, escusado será dizer que toda a gente chegou muito tarde ao trabalho, tudo ressacado e passámos o dia a rir à gargalhada, a contar a história aos colegas.

3 comentários:

GoncaloCV disse...

e a bicla...

dUAS em UM disse...

A bicla foi a vida!
Abracos

Anónimo disse...

Sempre em grande...
hahahahaha
só achei estranho neste post naõ haver nenhuma (nem umazinha....) referencia ás minhas maravilhosas capacidades vocais durante o sono...
Juro q fiquei desiludido...

Abçs amigo!

Vilela