6:45
O Vilela parece estar morto. Não sei se foi da mordaça, se da paulada na cabeça às 4 da manhã, se dos cogumelos venenosos que o obriguei a engolir por volta das 5.
Pelos menos foi assim que eu sonhei, nos poucos momentos em que os roncos sonoros não saíram daquela bocarra.
Com apenas 4 horas mal dormidas, vou para o trabalho meio zombie, meio farrapo humano, com o cansaço acumulado de várias noites bem bebidas e mal dormidas.
Por azar, sou chamado à Chefe que diz que vou passar a manhã em formação com ela.
Peço-lhe para me trazer dois palitos, para eu conseguir manter os olhos abertos.
Devia ter-lhe pedido para me trazer um terceiro palito, para me espetar no cérebro, a ver se eu espevitava.
Como tal não aconteceu, a formação começou apenas com meio cérebro na sala, o meu, porque o da Chefe é completamente oco.
Ela deve ter achado que eu, cavalheirescamente (esta foi difícil de escrever), me estava a tentar por ao nível dela, porque eu não era capaz de responder às perguntas mais simples que me ia fazendo. Estava algo lento, burro mesmo.
O dia custou muito a passar, mas para o fim de tarde estava reservado um programa à maneira.
Eu e o Vilela, a conselho da Margarida, havíamos comprado bilhetes para um espectáculo chamado “Blue Man Group”, mas sobre o qual ela apenas nos tinha dito que iríamos gostar imenso e para não chegarmos atrasados.
O ponto de encontro era na estação de metro de Covent Garden, que para quem chega de metro, tem a particularidade de se ter que apanhar um elevador para se subir à superfície.
Juntamente com várias dezenas de pessoas, entro para o elevador e quando já estamos todos bem apertadinhos e a esfregarmo-nos uns nos outros, as portas fecham-se. O elevador começa a subir e ouve-se uma voz vinda do intercomunicador a dizer: “Bem vindos à estação de Covent Garden”. Ouviram-se uns sorrisos tímidos, ao que se seguiu a brilhante frase: “Por favor, preparem os bilhetes para os apresentarem à saída”. Risada geral. Se eu nem um pum conseguia dar, quanto mais mexer um braço!
Quando avisto o Vilela, decido pregar-lhe uma partida e, de surpresa, roubo-lhe o instrumento de trabalho mais precioso, o telemóvel, pelo que ele apanhou um grande cagaço.
Para acalmar e para nos inspirarmos para o espectáculo que se seguia, depois de largarmos os casacos no teatro, fomos beber uma pint.
O “Blue Man Group” foi um show e peras. Um misto de concerto de rock, com batuques feitos em canalizações e outros instrumentos retirados da vida quotidiana, comédia, teatro, dança, luz, cor, muita interactividade com o público, humor em doses industriais, tudo feito com muita imaginação.
Como sempre acontece em qualquer espectáculo, houve um casalinho que chegou atrasado. O espectáculo parou, os artistas pegaram num foco de luz e apontaram para eles, ao mesmo tempo que iam cantando: “You are late, you are late, you are late...”. Gargalhada geral.
Foi de facto muito bom, valeu imenso a pena. Aconselho vivamente a quem pensar vir aqui a Londres.Saímos do teatro muito bem dispostos, ainda a tempo de irmos beber umas pints ao Prince Albert, para acabar a noite em beleza.
09 janeiro 2007
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2 comentários:
Tugas,
Ainda não houve uma note s/ uma pint, certo?
keep going m'man!
Bj grandalhões,
AR
Da-se...Blue Man Group já chega!!!
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