Até parece mal, mas após ter escrito sobre escravatura branca, esta sexta feira foi a excepção que se irá repetir por outras sextas feiras: o dia de trabalho acabou às 17:00h. A chefe e mais algumas meninas da empresa trouxeram umas bebiditas para a nossa sala de convívio, que para além de uma mesa de snooker daquelas que tem bolas minúsculas e buracos enormes, tornando o jogo complicado, tem aparelhagem, frigorífico e uma mesa enorme, onde normalmente almoçamos as nossas “sandes”.
As bebiditas eram uma garrafa de Jack Daniels, whiskey de reconhecida qualidade, Coca-Cola, para atenuar a qualidade do Jack D., vinho branco inglês de renome internacional e vinho rosé, tão apreciado entre os portugueses.
Devo desde já avisar quem eventualmente esteja a ler estas linhas, que o dia de hoje foi longo e por isso estas linhas também se prolongarão por muito mais do que tem sido costume. Porém, acho que vai valer a pena lê-las.
Comecei a jogar snooker com a French Connection, um lobby forte na minha empresa, até que a Boss decidiu juntar-se ao jogo.
A primeira tacada dela revelou uma certa falta de técnica, pelo que eu, armado em expert de snooker, me apressei a dar-lhe umas dicas de como pegar correctamente no taco. E nem sequer fiz a cena clássica à filme de me por por trás dela a pegar no taco em conjunto. Erro brutal, pois ela não aceitou muito bem estar a ter lições dum novato na empresa.
O erro revelou-se mais ridículo, quando eu, logo na tacada seguinte, com uma bola em que era só fechar os olhos para a colocar no buraco, tentei não só colocar a bola no buraco, mas também deixar a bola branca bem colocada para a jogada seguinte. Resultado: nem na bola que estava fácil acertei, pelo que foi a risada geral.
Pouco depois redimi-me, pois os nossos advesários já estavam a jogar à bola preta, que estava à porta do buraco, e nós ainda tinhamos uma bola para colocar em posição muito complicada. Ou seja, eu não podia falhar, ou perdiamos o jogo. A única hipótese era ir à tabela mais afastada para tentar por a bola que nos restava, mas era era uma jogada arrojada e arriscada. A coisa correu-me bem e a bola entrou. A minha surpresa deu-se com a reacção imediata de vários aplausos vindos da facção feminina da empresa, que eu não havia reparado que estavam a prestar atenção. Naturalmente que me encheu o ego e certamente fez subir a minha cotação, quanto mais não seja no que toca a jogos com bolas...
Por falar em jogos de bolas, havia para ver o Sporting-Benfica, pelo que me desloquei ao Galeão para ver o jogo. Atrasei-me um bocadinho nos transportes e quando lá chego, o Benfica já está a ganhar por 0-1. Que chatice! Perdi o primeiro golo.
O Galeão estava bem composto e tudo trajado a rigor com cachecóis dos respectivos clubes. As habituais bocas e picanços iam sendo trocadas pelos presentes, mas sempre num ambiente de boa disposição e, claro, na companhia de Super Bock’s e Sagres consoante o gosto.
Segundo golo do Benfica e explosão na sala. Tomem lá Lagartos! Esta já não nos escapa.
Depois do jogo ainda fico um bocado por lá a beber umas jolas fresquinhas, que já começavam a entrar que nem água...
Quando já estava alegrezito, perguntei se havia ali perto algum sítio onde se ir. Falaram-me no Red Jack, bar/disco da zona. Decido ir lá dar só um tirinho, pois amanhã chegam os meus amigos e eu quero estar em boas condições para os receber. Chego à porta do bar, que àquela hora, perto da meia noite, ainda parece estar com pouco movimento e o porteiro pergunta-me se eu estou bem, ao que eu respondo que sim, estou bem. Sequência lógica desta troca de palavras: o porteiro não me deixa entrar, pelo que eu, preplexo, pergunto-lhe o porquê, ele diz-me que não tem que me dar satisfações e eu fico-me por ali uns minutos a melgar o gorila. Será que eu já estava com um grãozinho na asa e não dei por isso?
Após este precalço, que não estava nas minhas previsões, escolhi um outro bar ali perto, que não tinha porteiro à entrada, não fosse o Diabo tecê-las e eu ficar à porta outra vez. O bar tinha mesa de snooker e eu desafiei o primeiro tipo que passou por mim para um joguinho.
Quando começamos o jogo, entendo finalmente porquê que o porteiro do Red Jack não me havia deixado entrar: não estava com um grãozinho na asa mas sim com uma batata do Entroncamento, pois já não acertava uma bola e já as via a triplicar.
Perco o primeiro jogo, peço a desforra e claro que também a perco. Não satisfeito, insisto.......... em perder, não só os jogos como também 1£ por partida, mais a Pint que pago ao meu adversário para o convencer a continuar a ganhar-me facilmente. No quarto jogo juntam-se uns amigos dele e jogamos a pares. Naturalmente que o par onde eu estava perdeu. Aqui tomei juízo e parámos de jogar. Fomos para uma mesa beber uns copos. Eles eram dois casais de australianos e neo-zelandeses, a quem a meio da conversa lhes conto a minha história do Red Jack, ao que me dizem que a seguir eles iam para lá e que me punham lá dentro sem problemas.
Quando chegamos à porta, eles entram na boa e eu sou novamente barrado e os outros cagaram em mim. Fico outra vez a melgar o porteiro que se mantém impassível a ouvir a minha voz arrastada a emitir uns grunhidos, enquanto alguns gajos mais bêbados do que eu vão entrando sem problemas.
Entretanto, assisto a uma cena de porrada entre uns seguranças e uns clientes que são expulsos com alguma violência e sangue à mistura. Estes chamam a polícia e eu, lixado com o porteiro, ofereço-me como testemunha. Às tantas, quando os polícias estavam a tentar dissuadir os agredidos de apresentar queixa, eu digo que eles tinham a obrigação de investigar. Nisto, uma polícia sentiu-se ofendida e, em tom muito agressivo, disse que eu não tinha nada que lhes estar a dizer como eles deviam fazer o trabalho deles, e ou eu me ia embora imediatamente, ou era a mim que me prendiam.
Meti o rabinho entre as pernas e afastei-me dali até à paragem do bus, para ir para casa. Eram 1:30 da manhã e assim vou estar em boas condições para receber os amigos, pensei eu.
No autocarro, peço a 3 espanhóis para me dizerem onde eu tinha que parar para ir para Notting Hill.
Conversa puxa conversa e os tipos às tantas desafiam-me a ir com eles a uma festa que havia no centro, e eu, como sou difícil de convencer, acabei por ir, contrariado, claro.
Saímos em Oxford Circus e no meio do turbilhão de gente que circulava pelas ruas, eu e um dos espanhóis, acabámos por nos perder dos outros dois.
A festa era no bar The End, que fazia jus ao nome pois era mesmo o Fim.............. da picada!
O espanhol com quem eu fiquei era completamente doido varrido e a técnica de engate dele era puxar os cabelos às gajas, ou por-se a dançar com movimentos sexuais mesmo colado a elas. Era o verdadeiro afugenta “gado”!
Decidi afastar-me dele e a primeira coisa que vejo é uma gaja bêbada aos beijos a um poste do bar.
Perguntei-lhe se ela precisava de ajuda e ela balbuciou umas palavras perfeitamente imperceptíveis. Entretanto chega uma amiga dela, uma anglo-brasileira giríssima, brasa mesmo, e ambos pegamos na namorada do poste e levamo-la à casa de banho e pomo-la debaixo da torneira.
Ela lá melhorou e fomos os três dançar para o meio da pista. A bêbada começa a agarrar-se a mim e a dar-me beijinhos na cara e eu a descolar. Deve ter-me confundido com o poste, certamente.
A amiga vem-me perguntar se eu gostava da bêbada, ao que eu respondo que gostava era dela. Ela, num português um bocado mal amanhado, sai-se com este mimo: “Infelizmente(!), estou aqui com meu namorado, senão...”
Perto das 6:30 decido ir embora, mas primeiro tenho que encontrar o espanhol, pois o casaco dele estava no meu cabide. Após algum esforço lá o descubro a apoquentar tudo o que era rabo de saias.
Apanho o metro, que já tinha começado a circular e chego a casa às 7 da manhã podre de bêbado. E eu que queria estar em boas condições para receber as minhas visitas...
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2 comentários:
Zé....
desta vez vou comentar todos....
este já me tinhas contado, mas assim escrito quase é mais engraçado...
hahahahahahahah
e a roda viva continua ...
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