31 maio 2007

Humor negro

Aviso: o texto seguinte contem cenas eventualmente chocantes, passiveis de ferir sensibilidades

A rua onde trabalho, uma das mais importantes arterias da cidade que liga a Catedral de St. Paul’s ao Banco de Inglaterra, deve ter uma qualquer aura negativa a sua volta.
Ha umas semanas atras, houve um homem que, ao sair do metro, morreu de ataque cardiaco.
Hoje de manha, a rua foi cortada ao transito com um grande aparato de policias e de bombeiros. Razao: um homem tinha-se atirado de uma janela e caiu em cima de um autocarro de dois andares, tao tipicos aqui em Londres. Escusado sera dizer que tambem foi desta para melhor.
Quem teve azar no meio desta ultima cena?
1. A senhora que ia no autocarro, que ao ouvir o barulho violento e seco do corpo a embater no tejadilho do bus, teve um ataque cardiaco e teve que ser transportada para o hospital. Se la chegou viva, ou nao, eis a questao.
2. Os restantes passageiros, que certamente tambem apanharam um valente susto, que ainda agora estao a lavar a roupa interior de tanto se terem borrado.
3. O condutor do autocarro, que nao sei como e que vai explicar aos seus superiores o rombo feito no tejadilho: “Ia a passar e caiu-me um tipo vindo do ceu” – Vai la inventar uma historia melhor!!!
4. O condutor do carro que ia logo atras, que ao distrair-se a olhar para uma pessoa a voar e que nao era nem o Super Homem nem o Homem Aranha, embateu no autocarro, ficando o seu veiculo bem amolgadinho.
5. Os restantes automobilistas que seguiam naquela rua, que porque um tipo se decidiu atirar incompetentemente de uma janela, tiveram que ficar retidos ate que os bombeiros resolvessem a situacao.
Quando soube da ocorrencia, alguns pensamentos malignos me passaram pela cabeca.
- Sera que o homem estava com pressa para apanhar o autocarro, que nao podia esperar pelo proximo?
- Talvez nao tivesse dinheiro para pagar o bilhete...
- Talvez numa vida anterior tivesse sido um touro: quando viu o vermelho do autocarro, decidiu marrar!
- Teria acabado de ver o Homem Aranha 3 e achou que tambem era capaz de voar para o edificio seguinte?
- Achou que era o dia das bruxas e decidiu pregar um susto a algumas pessoas?

Naturalmente que nao sei o que lhe tera passado pela cabeca, mas que estragou o dia a muita gente, la isso ele conseguiu!

08 maio 2007

I'm back (for now!)

A pedido de várias famílias, aqui estou eu de novo para vos tentar relatar, se possível mantendo o nível (baixo), as minhas desventuras em Londres.
Como já percebi não ser fácil compatibilizar um blog diário, com a vida movimentada de Londres, passarei apenas a contar dias em que aconteça algo que possa ter alguma piada, ou seja, provavelmente só contarei as minhas noites de bebedeira. Que, diga-se de passagem, são mais ou menos sete por semana!!! Isso é que era bom!

Começo pela última quinta feira, para quando estava marcada uma noite da empresa.
Depois de um dia de trabalho pouco produtivo para todos, aliás já previsível pelas roupas “casual” que fomos autorizados a vestir, à semelhança das sextas feiras, fomos beber o copo de aquecimento para um pub da zona.
Apanhámos uns táxis e dirigimo-nos para um restaurante italiano, para comer umas pizzas e afins, bem boas por sinal. Jorraram cervejas, vinho e Frangelico.
Após o jantar, onde estavam umas 14 pessoas, quase todos se dirigiram para um bar para jogar snooker.
O festival de cerveja, Jack Daniels com Cola e uns shots marados, continuou por mais algumas horas, o que se traduziu nuns jogos de snooker cada vez mais demorados. Até aqui, foi tudo à conta da empresa.
Como a resistência de uns não é igual à de outros, os “uns” foram abandonando o bar(co), já visivelmente enjoados.
Restámos quatro: o Tuga, um Francês, um Germano-Panamiano e um Colombiano, que tinha vindo de bicicleta, comprada havia poucas semanas.
Para onde vamos agora? Para um bar de strip, naturalmente!
Entramos no strip club, chamado “The Axe” (O Machado), já depois do colombiano ter parqueado a bicla, com cadeado.
Não, lamento desapontá-los, mas desta vez não atirei moeda alguma a qualquer dançarina, nem tão pouco fui expulso.
A rábula, porém, era a mesma: as donzelas passavam com uma caneca de cerveja, para nós colocarmos uma Libra, antes da sua performance no varão. A língua dominante das piquenas era o Português de Iparaguaçú, de modo que eu pude brilhar junto dos meus colegas: “Que peito gostoso, sua cabrita!”, “Que bundinha bacana, sua sacana”, foram as frases elevadas que lhes ensinei a dizer.
Perto das 2:30, depois de esvaziarmos as nossas carteiras, saímos do bar e reparámos que a bicicleta havia sido roubada.
Uns 50 metros à frente estavam três putos, um deles montado na bicla. O colombiano e eu, começamos a andar na direcção deles, só que o puto da bicla começa a fugir e, por isso, nós começámos a correr atrás dele. Era uma luta desigual, quanto mais não seja, porque a nossa trajectória já não era muito recta. De qualquer modo, eu não parei de gritar algo edificante como: “I’m gonna get you, sun of a b****! You mother f*****!”, entre outros.
Passadas umas boas centenas de metros, já com os bofes de fora, perdemos o puto de vista.
Voltamos ao ponto de partida e quando lá chegamos, estavam o francês e o alemão a gritar selvaticamente com os dois putos que tinham lá ficado. Nós os dois juntamo-nos à festa.
Os putos deviam ter uns 14, 15 anos. O alemão, que geralmente é um tipo muito calmo e ponderado, agarrava o pescoço de um deles e, qual rottweiler raivoso, exigia que os putos nos levassem a casa do gatuno.
O colombiano, possesso, só dizia: “I’m a fucking Colombian, you’ve stolen the wrong bicycle”.
Eu gritava que era da Máfia italiana e que os mandava matar a eles e às respectivas famílias, se não nos levassem até casa do ladrão. Aproveitei para lhes roubar o maço de cigarros que traziam (o tabaco aqui em Londres é muito caro!)
Nisto, o colombiano simula uma chamada telefónica a ordenar a morte dos putos que, aterrorizados e em choro convulsivo, já diziam que o outro morava a 5 minutos dali.
Entretanto aparece o francês com uma picareta na mão, que descobriu numas obras ali perto, a ameaçar os miudos que os fazia em picadinho. Deve-se ter inspirado no “The Axe”. Aqui os putos não aguentaram e desataram a correr, berrando de choro e pavor.
Nós fomos todos atrás deles, a gritar e de punhos cerrados com gestos muito agressivos.
O francês, a meio da corrida, largou a picareta.
Às tantas, os putos entram por uma porta, que tinha ar de escola, ou coisa parecida, e nós entrámos também de rompante, mantendo os gritos e os gestos agressivos. Quando damos por nós, estávamos dentro de uma esquadra da polícia, cheia de tipos fardados, pelo que tivémos que nos acalmar rapidamente.
Valeu-nos que os polícias já conheciam os putos de outras andanças e que o francês tinha largado a picareta, senão tinha sido bonito.
Nem tivémos coragem de apresentar queixa formal, não fossem os guardas ver as imagens do CCTV, que estão espalhadas por Londres. Quem era preso, ainda éramos nós!!!
No dia seguinte, escusado será dizer que toda a gente chegou muito tarde ao trabalho, tudo ressacado e passámos o dia a rir à gargalhada, a contar a história aos colegas.

09 janeiro 2007

Day 19 – Blue Man Group (07 Dez 2006)

6:45
O Vilela parece estar morto. Não sei se foi da mordaça, se da paulada na cabeça às 4 da manhã, se dos cogumelos venenosos que o obriguei a engolir por volta das 5.
Pelos menos foi assim que eu sonhei, nos poucos momentos em que os roncos sonoros não saíram daquela bocarra.
Com apenas 4 horas mal dormidas, vou para o trabalho meio zombie, meio farrapo humano, com o cansaço acumulado de várias noites bem bebidas e mal dormidas.
Por azar, sou chamado à Chefe que diz que vou passar a manhã em formação com ela.
Peço-lhe para me trazer dois palitos, para eu conseguir manter os olhos abertos.
Devia ter-lhe pedido para me trazer um terceiro palito, para me espetar no cérebro, a ver se eu espevitava.
Como tal não aconteceu, a formação começou apenas com meio cérebro na sala, o meu, porque o da Chefe é completamente oco.
Ela deve ter achado que eu, cavalheirescamente (esta foi difícil de escrever), me estava a tentar por ao nível dela, porque eu não era capaz de responder às perguntas mais simples que me ia fazendo. Estava algo lento, burro mesmo.
O dia custou muito a passar, mas para o fim de tarde estava reservado um programa à maneira.
Eu e o Vilela, a conselho da Margarida, havíamos comprado bilhetes para um espectáculo chamado “Blue Man Group”, mas sobre o qual ela apenas nos tinha dito que iríamos gostar imenso e para não chegarmos atrasados.
O ponto de encontro era na estação de metro de Covent Garden, que para quem chega de metro, tem a particularidade de se ter que apanhar um elevador para se subir à superfície.
Juntamente com várias dezenas de pessoas, entro para o elevador e quando já estamos todos bem apertadinhos e a esfregarmo-nos uns nos outros, as portas fecham-se. O elevador começa a subir e ouve-se uma voz vinda do intercomunicador a dizer: “Bem vindos à estação de Covent Garden”. Ouviram-se uns sorrisos tímidos, ao que se seguiu a brilhante frase: “Por favor, preparem os bilhetes para os apresentarem à saída”. Risada geral. Se eu nem um pum conseguia dar, quanto mais mexer um braço!
Quando avisto o Vilela, decido pregar-lhe uma partida e, de surpresa, roubo-lhe o instrumento de trabalho mais precioso, o telemóvel, pelo que ele apanhou um grande cagaço.
Para acalmar e para nos inspirarmos para o espectáculo que se seguia, depois de largarmos os casacos no teatro, fomos beber uma pint.
O “Blue Man Group” foi um show e peras. Um misto de concerto de rock, com batuques feitos em canalizações e outros instrumentos retirados da vida quotidiana, comédia, teatro, dança, luz, cor, muita interactividade com o público, humor em doses industriais, tudo feito com muita imaginação.
Como sempre acontece em qualquer espectáculo, houve um casalinho que chegou atrasado. O espectáculo parou, os artistas pegaram num foco de luz e apontaram para eles, ao mesmo tempo que iam cantando: “You are late, you are late, you are late...”. Gargalhada geral.
Foi de facto muito bom, valeu imenso a pena. Aconselho vivamente a quem pensar vir aqui a Londres.Saímos do teatro muito bem dispostos, ainda a tempo de irmos beber umas pints ao Prince Albert, para acabar a noite em beleza.

08 janeiro 2007

Day 18 – A sobrinha do Edu (06 Dez 2006)

6:45
Vilela, já não suporto mais. Estou a dar em louco. Vou mesmo ter que o amordaçar.
Depois de mais uma jornada em que foi difícil não adormecer no trabalho, vou ter com eles a casa para depois arrancármos para um pub qualquer, onde esteja a dar o Manchester-Benfica.
Percorremos os pubs todos de Notting Hill e nada. Está tudo a transmitir o Porto-Arsenal, que logicamente, sendo uma equipa londrina, tem muito mais interesse para as pessoas daqui.
Já nervoso e chateado por estar a perder o meu Benfica, digo que temos que ir para o centro de Londres, para ver o jogo num pub por onde eles tinham passado hoje e onde viram o jogo anunciado.
O problema é que eles já não se lembravam muito bem da localização exacta.
Quuando chegamos à zona, recebemos a notícia que o Benfica tinha marcado, pelo que eu e o Miguel fazemos uma festa enorme no meio da rua. Andamos um bocado às voltas à procura do dito pub, mas a demanda está difícil. Entretanto, o Vilela solta um grito a dizer que o jogo estava a passar num bar ali em frente. Respondemos que naquele bar não dava muito jeito. Porquê, perguntou o Vilela. Porque era um bar de strip! Daaahhhh!
Cá de fora do bar de strip, ainda conseguimos ver o golo do empate do Manchester, no último segundo da primeira parte.
Por fim, descobrimos o pub e entramos, sendo olhados com algum desdém pelos demais, talvez por eu levar um cahecol do Benfica ao pescoço, mas tudo na maior.
Durante a segunda parte ainda troquei alguns comentários com os adeptos do Manchester, mas como o jogo lhes correu bem melhor do que a nós, eles já nem se importavam com o meu cahecol.
3-1 para o Manchester. Benfica eliminado da Liga dos Campeões. Parece-me um bom motivo para beber mais umas pints.
O nosso amigo Eduardo havia nos dito que tinha cá uma sobrinha a estudar, a Maria, para nós lhe ligar-mos para combinar qualquer coisa. Convidámo-la a juntar-se a nós no pub onde estávamos e ela assim o fez. Quando chegou, já vinha bastante acelerada, bebemos mais umas rodadas e depois ela sugeriu irmos todos a uma festa duns amigos, que havia num bar ali perto.
Fizémo-nos à marcha e a Maria, já com o grãozinho na asa, deu-lhe para começar a ladrar para as pessoas que iam passando por ela. Achámos um bocadinho estranho, mas não deixámos de dar umas valentes gargalhadas a cada ladridela dela.
Chegados ao bar, ela apresenta-nos aos amigos e amigas dela. Duas das amigas eram da Europa de Leste e tinham um ar algo suspeito, pelo que eu, já bêbado, pergunto a um dos rapazes se elas eram putas. Ele, com ar indignado, responde: “Não. São minhas amigas!”. Glup! Gaffe! Há por aí algum buraquinho onde me possa esconder?
Depois deste incidente internacional, a Maria ainda nos levou à porta doutro bar, mas como tinha que se pagar à porta e já era tarde, decidimos ir para casa.Chegamos perto das três da manhã. Bonito! Só vou dormir 4 horitas. Já não tenho idade para estas andanças.

Day 17 – Vamos à bola (5 Dez 2006)

6:45
Maldito Vilela, assim não dá! Vou ter que lhe por uma mordaça na boca.
Sinto-me todo roto e a semana ainda mal começou.
O dia de trabalho mais uma vez passa lenta e custosamente.
Hoje é dia de Chelsea-Levski de Sófia, para a Liga dos Campeões, jogo para o qual havíamos comprado 5 bilhetes, a contar com a Margarida, que ontem tinha telefonado a dizer que afinal não iria poder ir.
Oh Diabo, vamos ter que arranjar um substituto, ou ficamos agarrados a um bilhete de £45 (67,50€).
Telefono ao Pedro S. Pinto, que se disponibiliza a vir connosco ver a bola.
Encontramo-nos todos no Prince Albert, bebemos uma pint e seguimos para o estádio.
As coisas estão bem organizadas e rapidamente descobrimos a nossa entrada e os nossos lugares, que são dois num sítio e os outros três a uns dez metros de distância.
A atmosfera está ao rubro, ouvem-se cânticos de apoio, aplausos, vêem-se bandeiras e cachecóis no ar.
O jogo começa e a adrenalina já está a bombar. O público vibra.
Recebo uma chamada do Miguel a perguntar se eu sabia da Tareca. Não, respondi. Ela estava perdida e nenhum de nós sabia onde ela estava. Ligávamos para o telemóvel e não obtinhamos resposta.
Saio da bancada e vou para os corredores para ver se a vejo: nada!
Começo a ficar preocupado e pergunto ao Steward se já tinha havido algum caso de rapto dentro do estádio. Ele diz-me que não e pede-me a descrição da minha amiga.
O Miguel liga-me novamente e diz que afinal ela está no estádio, mas sentada no local errado, para eu ir lá ajudar a encontrá-la.
Lá a descubro, com um ar de quem estava à rasca e vou buscá-la para o lugar certo.
Durante a primeira parte, o Chelsea marca o primeiro golo. É a explosão total. Mais cânticos.
Intervalo: o jogo não está a ser muito entusiasmante, o Chelsea já tem a qualificação garantida, não precisa muito de por o pé no acelerador, basta-lhe gerir o esforço.
Segunda parte, já perto do final da partida, o Chelsea marca o segundo, nova explosão de alegria e mais uns cânticos.
Final do jogo, o público aplaude e vai saindo do estádio de forma ordeira e organizada.
Como saímos um minuto antes do apito final, a Tareca não gostou e fez beicinho, que se prolongou ainda por algum tempo. Esquece lá isso Tareca!
A Margarida, que mora ali perto, convidou-nos para ir beber um copo com ela, pelo que nos metemos a caminho, primeiro de metro e depois a pé, mas o perto afinal não era assim tanto. Já depois de andármos bastante, apanhamos um táxi até ao restaurante/bar chamado “Tuga”, cujo dono é Tuga. Que coincidência fantástica.
Como estávamos todos cansados, acabámos por ir para casa mais ou menos cedo, comparando com as noites anteriores.

Day 16 – “CA GRANDAS MAMAS!!!!!!” (4 Dez 2006)

6:45
Toca a levantar. Nem posso acreditar que já é Segunda Feira, dia de trabalho.
Algo me diz que a semana vai ser complicada. Sinto-me cansado. Porque será? Certamente que o ressonar do Vilela não ajudou.
O trabalho nunca mais chega ao fim e eu só quero é ir-me embora.
Quando finalmente recebo a minha ordem de soltura, vou ter com o pessoal a um pub em Soho, no centro de Londres.
Eles passaram o dia nas compras e já estavam animaditos, quando eu lá chego, estafado do fim de semana e do dia de trabalho. Só animo, quando me contam a história da empregada de uma loja, que tinha uns belos atributos e eles, os homens, comentaram em voz alta e com os olhos a saírem das órbitas: “CA GRANDAS MAMAS!!!!!!”. Passados uns minutos, a empregada vem ter com eles e pergunta-lhes: “Vocês são Portugueses? Eu também”. Aqui mudaram de cor.
No regresso a casa e quando chegamos à estação de metro de Notting Hill, concluímos que estávamos com fome. Sugeri irmos ao McDonald’s comer um hamburger com bacon, que custa apenas 99 pence, ao que todos concordaram. Acabámos por entrar no Burger King, pois este ficava mais perto. A Tareca, distraída com a conversa com o Vilela, não se deu conta que não estávamos no McDonald’s e quando eu digo para sairmos dali porque não tinham os hamburguers de 99p, ela vai ter com o empregado, monhé de nascença, e pergunta-lhe porquê que aquele Mcdonald’s não tinha os referidos hamburgers e onde ficava o Burger King mais próximo. Resultado: o empregado estava branco de preplexidade, sem conseguir emitir qualquer som e nós, cá atrás, agarrados à barriga de tanto rir com a gaffe cometida.
Como a cerveja tem o dom de arrebitar os ânimos (deve ser da cevada…), tinha conseguido esse efeito em mim, pelo que depois do jantar ainda fomos ao Prince Albert fazer mais um bocadinho de halterocopismo.
Eram perto das duas quando nos fomos deitar. Já sou vou dormir 5 horitas. Se o Vilela deixar, digo eu!

Day 15 – Dia de passeios (03 Dez 2006)

Acordámos a meio da manhã e fomos fazer compras para a casa.
A noite não foi muito bem dormida, pois dormi com o Vilela na minha cama que ressona que nem um porco. Vilela, desculpa lá, mas agora passou a ser público. Além disso, ele mexe-se imenso durante o sono. Devia estar a querer festas ou carinho.
Comemos qualquer coisa para servir de almoço, tomámos um shot de rum para animar as hostes e aquecer a alma e saímos com o destino delineado: fomos visitar a Tate Modern.
Esta é uma galeria de arte instalada numa antiga fábrica, cujo edifício se distingue por uma chaminé bastante alta, que alberga obras dos principais pintores e escultores do século XX, desde Picasso a Roy Liechtenstein, passando por Salvador Dali até Andy Warhol.
Para vos dizer a verdade, não achei nada de especial. Houve meia dúzia de coisas de que realmente gostei, mas a maior parte, sobretudo dos artistas mais recentes, deu-me a sensação que qualquer criancinha de 5 anos conseguia fazer igual ou melhor. Gosto claramente mais de pintura clássica.
Depois da exposição, atravessámos o rio e fomos visitar a Catedral de St. Paul, igreja sem dúvida imponente e bonita.
Dirigimo-nos para a zona de Covent Garden e como achámos que a garganta já estava seca há muito tempo, fomos experimentar um vinho quente que serviam num quiosque, a £3 cada copito tipo shot.
Mas lá que souberam bem, lá isso é verdade.
Como a Tareca e o Miguel foram ter com uma prima da Tareca para ir ver a casa dela, o Vilela e eu achámos que devíamos continuar a experimentar as iguarias da zona, por isso fomos para um pub beber cerveja, que é o melhor pitéu que aqui servem.
O pub chama-se “Serpent” e em pouco tempo já tínhamos uma pint na mão e conversa feita com o gerente do pub, tuga, como é óbvio.
Quando a pint acabou, fomos encher o copo para outro pub de Covent Garden, este já um sítio maior e bem composto. Arranjamos uma mesa para nos sentarmos e convidamos duas moçoilas a sentarem-se connosco, ao que nos respondem que iam só acabar uma conversa que estavam a ter e já se juntavam a nós.
O Vilela e eu entrámos imediatamente em apreciações dos atributos físicos das meninas e em cogitações sobre qual das duas recaía a nossa preferência, para o caso de virmos a ter sorte nessa noite.
Querem saber o que aconteceu? Não tivémos sorte! Damn! Passado um bocado, uma delas veio ter connosco a pedir desculpa, mas afinal tinham que se ir embora. Pelo menos foi educada, a rapariga.
Depois de algumas jolas e muita gargalhada, fomos ter com a Tareca e o Miguel, a prima da Tareca e o marido, a Isabelinha e o Diogo, que nos levaram a jantar a um restaurante tailandês duma cadeia de restaurantes que muito sucesso tem por aqui em Londres. O nome do restaurante não revelo, não por poder estar a fazer publicidade indevidamente, mas sim porque simplesmente não me recordo dele.
Os pratos estavam todos óptimos, assim como as cervejas tailandesas que fomos emborcando a acompanhar o jantar.
Depois do jantar ainda fomos beber mais umas pints para o Prince Albert, um pub de Notting Hill.
Ainda ficámos por lá um bom bocado, até que nos viémos embora já meio aos ésses, em direcção a casa, pois amanhã havia quem tivesse que trabalhar.

Day 14 – A recepção aos amigos (02 Dez 2006)

Acordo com o despertador ao meio dia, de ressaca, e começo a arrumar a casa para que os amigos sejam bem recebidos e, depois, enquanto espero pela chegada deles, ponho-me a escrever o rascunho do que faltava actualizar no blog.
São 14:15. O telefone toca: são eles a dizerem que já estão em Notting Hill, para eu lhes explicar como é que vêm ter aqui à rua. Está bem abelha! Ainda não conheço isto suficientemente bem para dar direcções do que quer que seja. Só sei o autocarro que tenho que apanhar para ir ter à estação de metro e pouco mais.
O problema resolveu-se com o GPS do carro do Óscar, amigo do Vilela, que gentilmente se ofereceu para os ir buscar ao aeroporto. Num instante, estavam todos à porta de casa: eu, a Tareca, o Miguel, o Vilela, o Óscar e a Margarida, que por coincidência chegou exactamente no mesmo momento.
Os cumprimentos foram calorosos, pois já não nos víamos há duas semanas, demasiado tempo, portanto.
Depois de largadas as bagagens, a Margarida fez de cicerone e foi nos mostrar a zona do mercado de Portobello Road e levou-nos a um restaurante simpático para almoçarmos qualquer coisita.
Após o almoço, ainda passeámos um bocado pela área, vimos a livraria do filme “Notting Hill” e finalmente dirigimo-nos ao que realmente interessa: o Pub.
Aí chegados as Pints foram-se sucedendo em catadupa e a animação aumentando proporcionalmente.
Quando já estávamos muito acelerados e quentinhos, fomos jantar uns hamburguers, mas aí a malta começou a perder a pedalada e a coisa começou a acalmar. Estes meus amigos ainda não se habituaram ao ritmo de Londres, coitaditos. Ainda tentámos ir a um bar que a Margarida nos indicou, mas depois de andarmos uns bons quilómetros e darmos finalmente com o bar, neste só entrava quem estivesse na guestlist, conceito muito em voga aqui na cidade, em vigor nos principais bares e clubes londrinos.
Após este revés, andámos para trás os bons quilómetros, tentando voltar ao pub onde tinhamos estado antes, mas este já se encontrava fechado.
O que fazemos? Vamos para casa que já se faz tarde e amanhã é outro dia.

Day 13 – Jogos com bolas ou a coincidência de ser o dia 13 (01 Dez 2006)

Até parece mal, mas após ter escrito sobre escravatura branca, esta sexta feira foi a excepção que se irá repetir por outras sextas feiras: o dia de trabalho acabou às 17:00h. A chefe e mais algumas meninas da empresa trouxeram umas bebiditas para a nossa sala de convívio, que para além de uma mesa de snooker daquelas que tem bolas minúsculas e buracos enormes, tornando o jogo complicado, tem aparelhagem, frigorífico e uma mesa enorme, onde normalmente almoçamos as nossas “sandes”.
As bebiditas eram uma garrafa de Jack Daniels, whiskey de reconhecida qualidade, Coca-Cola, para atenuar a qualidade do Jack D., vinho branco inglês de renome internacional e vinho rosé, tão apreciado entre os portugueses.
Devo desde já avisar quem eventualmente esteja a ler estas linhas, que o dia de hoje foi longo e por isso estas linhas também se prolongarão por muito mais do que tem sido costume. Porém, acho que vai valer a pena lê-las.
Comecei a jogar snooker com a French Connection, um lobby forte na minha empresa, até que a Boss decidiu juntar-se ao jogo.
A primeira tacada dela revelou uma certa falta de técnica, pelo que eu, armado em expert de snooker, me apressei a dar-lhe umas dicas de como pegar correctamente no taco. E nem sequer fiz a cena clássica à filme de me por por trás dela a pegar no taco em conjunto. Erro brutal, pois ela não aceitou muito bem estar a ter lições dum novato na empresa.
O erro revelou-se mais ridículo, quando eu, logo na tacada seguinte, com uma bola em que era só fechar os olhos para a colocar no buraco, tentei não só colocar a bola no buraco, mas também deixar a bola branca bem colocada para a jogada seguinte. Resultado: nem na bola que estava fácil acertei, pelo que foi a risada geral.
Pouco depois redimi-me, pois os nossos advesários já estavam a jogar à bola preta, que estava à porta do buraco, e nós ainda tinhamos uma bola para colocar em posição muito complicada. Ou seja, eu não podia falhar, ou perdiamos o jogo. A única hipótese era ir à tabela mais afastada para tentar por a bola que nos restava, mas era era uma jogada arrojada e arriscada. A coisa correu-me bem e a bola entrou. A minha surpresa deu-se com a reacção imediata de vários aplausos vindos da facção feminina da empresa, que eu não havia reparado que estavam a prestar atenção. Naturalmente que me encheu o ego e certamente fez subir a minha cotação, quanto mais não seja no que toca a jogos com bolas...
Por falar em jogos de bolas, havia para ver o Sporting-Benfica, pelo que me desloquei ao Galeão para ver o jogo. Atrasei-me um bocadinho nos transportes e quando lá chego, o Benfica já está a ganhar por 0-1. Que chatice! Perdi o primeiro golo.
O Galeão estava bem composto e tudo trajado a rigor com cachecóis dos respectivos clubes. As habituais bocas e picanços iam sendo trocadas pelos presentes, mas sempre num ambiente de boa disposição e, claro, na companhia de Super Bock’s e Sagres consoante o gosto.
Segundo golo do Benfica e explosão na sala. Tomem lá Lagartos! Esta já não nos escapa.
Depois do jogo ainda fico um bocado por lá a beber umas jolas fresquinhas, que já começavam a entrar que nem água...
Quando já estava alegrezito, perguntei se havia ali perto algum sítio onde se ir. Falaram-me no Red Jack, bar/disco da zona. Decido ir lá dar só um tirinho, pois amanhã chegam os meus amigos e eu quero estar em boas condições para os receber. Chego à porta do bar, que àquela hora, perto da meia noite, ainda parece estar com pouco movimento e o porteiro pergunta-me se eu estou bem, ao que eu respondo que sim, estou bem. Sequência lógica desta troca de palavras: o porteiro não me deixa entrar, pelo que eu, preplexo, pergunto-lhe o porquê, ele diz-me que não tem que me dar satisfações e eu fico-me por ali uns minutos a melgar o gorila. Será que eu já estava com um grãozinho na asa e não dei por isso?
Após este precalço, que não estava nas minhas previsões, escolhi um outro bar ali perto, que não tinha porteiro à entrada, não fosse o Diabo tecê-las e eu ficar à porta outra vez. O bar tinha mesa de snooker e eu desafiei o primeiro tipo que passou por mim para um joguinho.
Quando começamos o jogo, entendo finalmente porquê que o porteiro do Red Jack não me havia deixado entrar: não estava com um grãozinho na asa mas sim com uma batata do Entroncamento, pois já não acertava uma bola e já as via a triplicar.
Perco o primeiro jogo, peço a desforra e claro que também a perco. Não satisfeito, insisto.......... em perder, não só os jogos como também 1£ por partida, mais a Pint que pago ao meu adversário para o convencer a continuar a ganhar-me facilmente. No quarto jogo juntam-se uns amigos dele e jogamos a pares. Naturalmente que o par onde eu estava perdeu. Aqui tomei juízo e parámos de jogar. Fomos para uma mesa beber uns copos. Eles eram dois casais de australianos e neo-zelandeses, a quem a meio da conversa lhes conto a minha história do Red Jack, ao que me dizem que a seguir eles iam para lá e que me punham lá dentro sem problemas.
Quando chegamos à porta, eles entram na boa e eu sou novamente barrado e os outros cagaram em mim. Fico outra vez a melgar o porteiro que se mantém impassível a ouvir a minha voz arrastada a emitir uns grunhidos, enquanto alguns gajos mais bêbados do que eu vão entrando sem problemas.
Entretanto, assisto a uma cena de porrada entre uns seguranças e uns clientes que são expulsos com alguma violência e sangue à mistura. Estes chamam a polícia e eu, lixado com o porteiro, ofereço-me como testemunha. Às tantas, quando os polícias estavam a tentar dissuadir os agredidos de apresentar queixa, eu digo que eles tinham a obrigação de investigar. Nisto, uma polícia sentiu-se ofendida e, em tom muito agressivo, disse que eu não tinha nada que lhes estar a dizer como eles deviam fazer o trabalho deles, e ou eu me ia embora imediatamente, ou era a mim que me prendiam.
Meti o rabinho entre as pernas e afastei-me dali até à paragem do bus, para ir para casa. Eram 1:30 da manhã e assim vou estar em boas condições para receber os amigos, pensei eu.
No autocarro, peço a 3 espanhóis para me dizerem onde eu tinha que parar para ir para Notting Hill.
Conversa puxa conversa e os tipos às tantas desafiam-me a ir com eles a uma festa que havia no centro, e eu, como sou difícil de convencer, acabei por ir, contrariado, claro.
Saímos em Oxford Circus e no meio do turbilhão de gente que circulava pelas ruas, eu e um dos espanhóis, acabámos por nos perder dos outros dois.
A festa era no bar The End, que fazia jus ao nome pois era mesmo o Fim.............. da picada!
O espanhol com quem eu fiquei era completamente doido varrido e a técnica de engate dele era puxar os cabelos às gajas, ou por-se a dançar com movimentos sexuais mesmo colado a elas. Era o verdadeiro afugenta “gado”!
Decidi afastar-me dele e a primeira coisa que vejo é uma gaja bêbada aos beijos a um poste do bar.
Perguntei-lhe se ela precisava de ajuda e ela balbuciou umas palavras perfeitamente imperceptíveis. Entretanto chega uma amiga dela, uma anglo-brasileira giríssima, brasa mesmo, e ambos pegamos na namorada do poste e levamo-la à casa de banho e pomo-la debaixo da torneira.
Ela lá melhorou e fomos os três dançar para o meio da pista. A bêbada começa a agarrar-se a mim e a dar-me beijinhos na cara e eu a descolar. Deve ter-me confundido com o poste, certamente.
A amiga vem-me perguntar se eu gostava da bêbada, ao que eu respondo que gostava era dela. Ela, num português um bocado mal amanhado, sai-se com este mimo: “Infelizmente(!), estou aqui com meu namorado, senão...”
Perto das 6:30 decido ir embora, mas primeiro tenho que encontrar o espanhol, pois o casaco dele estava no meu cabide. Após algum esforço lá o descubro a apoquentar tudo o que era rabo de saias.
Apanho o metro, que já tinha começado a circular e chego a casa às 7 da manhã podre de bêbado. E eu que queria estar em boas condições para receber as minhas visitas...