Acordo. Sinto algo estranho. Uma sensação plástica. A minha mão dentro de um saco de plástico???
Tiago, ainda deves estar a sonhar! Volta a dormir. OK.
Acordo novamente, mas a sensação plástica mantém-se, afinal não era sonho e ainda por cima dói!
Quem te mandou andares a por a mão onde não devias? És mesmo Tiago!
Vou ter que ir novamente ao hospital. Telefono a uma colega minha a pedir os números de telemóvel dos meus dois chefes, a quem, por cláusula contratual, tenho que avisar caso vá chegar atrasado. Ela só tem um dos números, de modo que lhe peço para avisar a Boss.
Telefono para ele e deixo mensagem. Depois do banho tomado de braço no ar, resolvo telefonar para a empresa para falar com a fera. Quando ela atende e eu lhe digo que vou chegar atrasado por ter que ir ao hospital, as únicas palavras que recebo são: “Tiago, não te disse já que tens que ter o meu número de telemóvel gravado e que tens que me ligar directamente a avisar? A que horas chegas aqui ao trabalho?” – Simpática, não?
Depois de me vestir a custo (experimentem vestir fato e gravata e apertar os atacadores com um saco de plástico na mão e com dores), desloco-me para o hospital de autocarro e metro, não deixando de reparar que, por qualquer motivo, eu era o centro das atenções. Is it a bird? Is it a plane? No, it’s Plastic Man!!
No hospital, para além de me porem vaselina na mão, voltam a por um saco de plástico novo. Deve ser a isto a que chamam de reciclagem!
Chego ao trabalho às 10:15 e desde aí até ao fim do dia, durante as pausas cronometradas, não fiz outra coisa senão contar a história de como me havia queimado. A cena habitual dos aleijadinhos.
Entretanto, na semana passada (que ainda a hei de escrever, prometo), tinha recebido uma chamada de um polícia, o Terry Simpson, a dizer que pretendia que eu voltasse à esquadra, para fazer o meu depoimento sobre o barrete que eu tinha enfiado com o quarto que eu paguei e que não existia. Que eu podia lá ir a qualquer dia desta semana a partir das 22:00h, que ele iria lá estar de serviço. E eu que já escrevera “O FIM” para esta saga, esqueci-me que a própria palavra “saga” implica sequelas e continuações...
Assim sendo, e depois de ir a casa por uma máquina cheia de lençóis a lavar porque as primas do meu anfitrião vão-me desalojar durante uns dias a partir deste domingo (ainda não escolhi a ponte debaixo da qual vou dormir nesses dias), lá fui eu para o meio da cidade para ir ter com o polícia.
Quando chego à esquadra, da qual já tenho cartão de cliente VIP, vou ter com a polícia de serviço que após alguns telefonemas para descobrir o Terry, chega à conclusão que ele é de outra esquadra, que não aquela. No meu tempo de espera, não conseguia tirar os olhos do folheto que estava à frente do meu nariz, com o título: “Quality of Service Commitment” – sem comentários!
Furibundo, vou para a outra esquadra, que já ficava na outra margem do rio Thames, portanto, ainda um bocado longe, aonde chego por volta das 23:30h.
O polícia, não sei se era por ter o nome Simpson, fez-me logo lembrar o Homer: gordo, careca e com ar abrutalhado.
Fui contando o caso e respondendo às perguntas do Homer, que ia escrevendo tudo à mão a uma velocidade inferior àquela que eu teria se tivesse a escrever com a mão dentro do saco de plástico!!!
Vi logo que aquilo ía ser demorado. E foi: saí de lá era uma e meia da manhã, hora a que o metro já não funciona. Toca de apanhar o táxi, que me veio a custar a módica quantia de £25 (37,50€!!!).
Chegado a casa, perto das duas da matina, havia que tirar os lençóis da máquina e pô-los no estendal, para que no dia seguinte, a empregada que contratei para por a casa impecável para as primas do Miguel, tivesse tudo pronto. Faltava ainda escrever as instruções para a empregada e deixar o dinheiro em cima da bancada. Por quatro horitas de trabalho foram só £32 (48,00€!!!!!!) e com tudo isto, deitei-me às 2:20h.Conclusão: Londres é fixe e muito barata
15 dezembro 2006
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)

Sem comentários:
Enviar um comentário