21 dezembro 2006

Day 28 - Prolongamento

Quando os meus sentidos começaram a despertar com uma voz grossa de preto, do Mark, o meu room mate, a dizer que tinha que me levantar porque já eram onze da manhã, a minha mente entorpecida, ou o que restava dela, nem queria acreditar. A questão era que o check out do hotel já passara há meia hora atrás.
Arranjei algumas forças para me levantar e tomar um duche de água fria. Quando desci, 20 minutos depois, reparei que o átrio do hotel estava vazio, só restavam três dos chefes. Disseram que eu era o último, que tinha estado tudo à espera, que não podia ser, etc, etc, etc.
Fomos almoçar à vila, onde eu experimentei os meus primeiros Egg’s Bennedict, vulgo omelete com tosta, mas deu para retemperar umas forças.
Entrámos para o autocarro e a maior parte do pessoal tentou dormir, pois estava tudo KO.
A menor parte do pessoal agarrou-se ao resto das bebidas que tinham sobrado do dia anterior.
Adivinhem lá em que parte é que eu fiquei...
Chegados a Londres e feitas as despedidas, um bocado secas para um qualquer Latino, tipo “então até 2ª”, sem qualquer tipo de contacto físico, leia-se apertos de mão ou beijinhos, restaram três: um sueco, um inglês e um português. Já parece aquelas anedotas...
O que é que vamos fazer? Talvez continuar a beber!
Procurámos por um Pub ali perto do escritório, mas ou estava tudo fechado ou vazio. No primeiro que tinha movimento à porta foi onde decidimos entrar.
E tinha movimento porquê? Porque era um bar de strip, pois claro. Mas nós não nos importámos muito!
O esquema funcionava assim: a menina que ia fazer o show seguinte, passava de um lado para o outro em trajes mínimos, com uma caneca vazia na mão, onde cada cliente tinha que por uma Libra para assistir ao show dela.
A um dado momento e já com muitas Pints em cima e quase nehuma moeda no bolso, passa uma menina com a caneca, a quem eu entreguei os meus últimos tostões (em inglês, pénis). A menina sentiu-se muito ofendida e pegou em cinco pénis e deitou-os na cerveja que eu estava a beber, ainda ia a meio.
Espera lá sua puta que já me pagas!
Quando ela estava a actuar, olhei para um lado e outro, mas como já não via nada mesmo, decidi vingar-me: fui ao fundo do copo buscar a moedinha, fiz pontaria, atirei a moeda e zás, acertei-lhe em cheio no porta moedas que ela tinha no meio dos peitos bem dotados.
Resultado: passado uns minutos estava a ser expulso dum bar de strip, por um preto de três por três, metros, claro. Mas tudo muito civilizado, acompanharam-me à porta sem me tocarem e com o pormenor curioso de irem os dois seguranças a taparem o nariz. Devia ser de eu estar todo borradinho!
Cá fora, a uma distância segura, eu os outros dois não pudémos deixar escapar uma violenta gargalhada.
O resto da noite foram as palhaçadas habituais, que só terminaram outra vez às 6:00h, quando, em avançado estado de decomposição, me obrigaram a entrar para o táxi.

20 dezembro 2006

Day 27 – O Jantar de Natal

Hoje o dia de trabalho começou de modo algo diferente: o pessoal foi chegando vestindo “casual” (em inglês), levando sacolas às costas e transportando uma boa disposição pouco habitual. Respirava-se um certo ambiente festivo.
Para perto do meio dia, estava agendada uma reunião de “brainstorming”, onde o objectivo era cada um dizer de sua justiça, dizer aquilo que achava dever ser melhorado na empresa. Como é costume neste tipo de coisas, há sempre aqueles que ficam calados que nem ratos, e os outros que têm a mania que falam por eles e pelos ratos. Eu, estupidamente, incluí-me no segundo grupo. Quando dei por mim, já lançado, a ser dos que mais coisas dizia, lembrei-me que eu era apenas o mais recente ali na empresa. Toca mas é de ficar caladinho.................que nem um rato!
Por volta das 3 das tarde, entrámos no autocarro e para aí 30 segundos depois, o bar estava aberto! Cerveja, vinho, whiskey, vodka, rum, coca-cola e sumos, não faltava nada, de modo que à medida que os quilómetros iam passando, a animação ía aumentando e o equilíbrio dentro da camionete diminuindo.
Três horas depois, chegámos a Eastbourne, uma vila situada a uns 15 Km de Brighton, junto à praia e eu pensei que tinhamos chegado ao lar da 3ª idade de Inglaterra. Era só gente velha. Entrámos no hotel e o panorama mantinha-se. A média de idades situava-se nos 70 anos e era porque nós a tinhamos feito baixar drasticamente. A noite prometia...
Chegados ao restaurante, que haveria de ser também o bar e a disco, fomos brindados com a primeira surpresa da noite: a Boss e as meninas administrativas aparecem todas vestidas de Mãe Natal. Deu um toque engraçado ao ambiente.
A seguir ao jantar, e passo já para esta fase porque nem me lembro o que é que foi servido, pois para mim já pareciam 3 das manhã, foram entregues alguns prémios e foram trocados os presentes que cada um havia comprado com o valor máximo de £5.
O presente mais engraçado e mais feito à medida da noite, foi o que me coube em sorte: uma pega em forma de luva, que viria mais tarde a tornar-se a vedeta da noite, pois estive com ela posta até ao fim sempre a fazer palhaçadas à Tiago.
A dança durou até às 6 da manhã, quando os tipos do bar decidiram que já era altura de retirar da pista o único marmelo que por lá se arrastava, que, por acaso, tinha uma luva na mão...
Lá entrei para um táxi com mais uns colegas, e não querendo fazer a rábula do panasca com o taxista, inventei outra rábula que os pôs todos a rir às gargalhadas.
Quando chegamos ao hotel, comigo já mais para lá do que para cá, lembro-me que o Mark, o tipo com quem eu partilhava o quarto e que ficou com as chaves, só ía chegar no próximo táxi. Pedi ao recepcionista que me viesse abrir a porta do quarto, ao que ele anuíu.
Entrámos todos no elevador e o recepcionista pergunta-me qual o número do meu quarto, ao que eu respondo, 619. Ele contrapõe com o pormenor de que o hotel só tinha 3 andares, pelo que eu digo 519 ou 419. Foi a risota geral.
Por estas e por outras que foram acontecendo ao longo da maratona de copos de 15 horas, até aqui em Londres já sou o palhacito da corte.

15 dezembro 2006

Day 26 - Banalidades

Depois do trabalho e por coincidência, encontrei uns quantos colegas meus à conversa junto à entrada para o metro. Ás meninas apetecia-lhes um café e uns bolinhos. Aos meninos apetecia-lhes umas Pints. Como sempre acontece desde os primórdios da Humanidade, ganharam as meninas e fomos então para uma Boulangerie francesa, onde se pediram uns capuccinozitos, uns cházitos, e uns bolitos. Que querido!
Depois ainda ficámos um bocado à conversa na estação de metro e o assunto manteve-se o mesmo desde o “Salão das Tias” (certamente era este o nome da boulangerie): a insatisfação geral face ao regime de escravatura de que somos vítimas.
Por fim, vim para casa, que se encontrava impecavelmente limpa e com a roupa toda passada a ferro.
Comecei a preparar o meu saco para o dia seguinte, pois vamos ter o jantar de Natal da empresa no sul de Inglaterra, perto de Brighton e passamos lá a noite num hotel.
Consta que estes jantares de Natal da empresa são sempre memoráveis. Vou esperar para ver e para depois contar.
Tirei finalmente o saco de plástico da mão, limpei-a da vaselina e a coisa está um bocado pró feia (leia-se nogenta). Dez bolhas enormes, mas com ar de que dentro de poucos dias já desapareceram.
Curioso: não sinto dores, pelo que já consigo escrever no computador a duas mãos e aproveito para por em dia os Day 25 & 26.
Estavam à espera de mais uma Desventura de um Tugas em Londres? Também não pode ser todos os dias, caramba!

Day 25 – Saga da Polícia 6 & 7

Acordo. Sinto algo estranho. Uma sensação plástica. A minha mão dentro de um saco de plástico???
Tiago, ainda deves estar a sonhar! Volta a dormir. OK.
Acordo novamente, mas a sensação plástica mantém-se, afinal não era sonho e ainda por cima dói!
Quem te mandou andares a por a mão onde não devias? És mesmo Tiago!
Vou ter que ir novamente ao hospital. Telefono a uma colega minha a pedir os números de telemóvel dos meus dois chefes, a quem, por cláusula contratual, tenho que avisar caso vá chegar atrasado. Ela só tem um dos números, de modo que lhe peço para avisar a Boss.
Telefono para ele e deixo mensagem. Depois do banho tomado de braço no ar, resolvo telefonar para a empresa para falar com a fera. Quando ela atende e eu lhe digo que vou chegar atrasado por ter que ir ao hospital, as únicas palavras que recebo são: “Tiago, não te disse já que tens que ter o meu número de telemóvel gravado e que tens que me ligar directamente a avisar? A que horas chegas aqui ao trabalho?” – Simpática, não?
Depois de me vestir a custo (experimentem vestir fato e gravata e apertar os atacadores com um saco de plástico na mão e com dores), desloco-me para o hospital de autocarro e metro, não deixando de reparar que, por qualquer motivo, eu era o centro das atenções. Is it a bird? Is it a plane? No, it’s Plastic Man!!
No hospital, para além de me porem vaselina na mão, voltam a por um saco de plástico novo. Deve ser a isto a que chamam de reciclagem!
Chego ao trabalho às 10:15 e desde aí até ao fim do dia, durante as pausas cronometradas, não fiz outra coisa senão contar a história de como me havia queimado. A cena habitual dos aleijadinhos.
Entretanto, na semana passada (que ainda a hei de escrever, prometo), tinha recebido uma chamada de um polícia, o Terry Simpson, a dizer que pretendia que eu voltasse à esquadra, para fazer o meu depoimento sobre o barrete que eu tinha enfiado com o quarto que eu paguei e que não existia. Que eu podia lá ir a qualquer dia desta semana a partir das 22:00h, que ele iria lá estar de serviço. E eu que já escrevera “O FIM” para esta saga, esqueci-me que a própria palavra “saga” implica sequelas e continuações...
Assim sendo, e depois de ir a casa por uma máquina cheia de lençóis a lavar porque as primas do meu anfitrião vão-me desalojar durante uns dias a partir deste domingo (ainda não escolhi a ponte debaixo da qual vou dormir nesses dias), lá fui eu para o meio da cidade para ir ter com o polícia.
Quando chego à esquadra, da qual já tenho cartão de cliente VIP, vou ter com a polícia de serviço que após alguns telefonemas para descobrir o Terry, chega à conclusão que ele é de outra esquadra, que não aquela. No meu tempo de espera, não conseguia tirar os olhos do folheto que estava à frente do meu nariz, com o título: “Quality of Service Commitment” – sem comentários!
Furibundo, vou para a outra esquadra, que já ficava na outra margem do rio Thames, portanto, ainda um bocado longe, aonde chego por volta das 23:30h.
O polícia, não sei se era por ter o nome Simpson, fez-me logo lembrar o Homer: gordo, careca e com ar abrutalhado.
Fui contando o caso e respondendo às perguntas do Homer, que ia escrevendo tudo à mão a uma velocidade inferior àquela que eu teria se tivesse a escrever com a mão dentro do saco de plástico!!!
Vi logo que aquilo ía ser demorado. E foi: saí de lá era uma e meia da manhã, hora a que o metro já não funciona. Toca de apanhar o táxi, que me veio a custar a módica quantia de £25 (37,50€!!!).
Chegado a casa, perto das duas da matina, havia que tirar os lençóis da máquina e pô-los no estendal, para que no dia seguinte, a empregada que contratei para por a casa impecável para as primas do Miguel, tivesse tudo pronto. Faltava ainda escrever as instruções para a empregada e deixar o dinheiro em cima da bancada. Por quatro horitas de trabalho foram só £32 (48,00€!!!!!!) e com tudo isto, deitei-me às 2:20h.Conclusão: Londres é fixe e muito barata

13 dezembro 2006

Day 24 – A actualização pode esperar

Hoje saí mais ou menos cedo do trabalho e logo pensei: quando chegar a casa vou-me preparar a mim próprio um jantarzito sopimpa e depois das minhas leituras obrigatórias que trago do escritório (dois capítulos diários do livro “Selling the Wheel”), vou aproveitar para finalmente por o blog em dia.
Quando entrei em casa, lembrei-me que, de manhã, tinha deixado uma máquina da roupa a lavar.
Abri a porta da máquina, que continha todo o tipo de roupa e de todas as cores e tive a primeira surpresa da noite: algumas peças de roupa originalmente brancas, estavam cor de rosa! Camisolas interiores, uma camisa e........ duas toalhas do meu anfitrião!!! Barraca!
Disse-me depois o Miguel que não havia problema, pois as toalhas haviam sido inadvertidamente trazidas de um qualquer hotel.
Depois comecei a preparar o jantarzito sopimpa que, na verdade, não era mais do que uma embalagem trazida do supermercado de “Five mushroom stroganoff with rice and caramelised onions”, que é só por no forno e fica pronto a comer.
Enquanto o pitéu aquecia, recebi uma chamada que muito me agradou e que me deixou com a cabeça um bocado na lua, mas mais pormenores não vou revelar...
Quando o strogonoff estava pronto e eu ainda algo aéreo, fui tirá-lo do forno, já a salivar com o cheirinho que emanava e eis que solto um berro de dor estridente: tinha-me esquecido da pêga da pega e por isso queimei-me violentamente na mão esquerda. Muito inteligente, sim senhor!
Telefonei imediatamente ao Doc a pedir conselhos e este disse-me para por a mão debaixo de água fria e depois ir ao hospital.
Enquanto refrescava a mão queimada, com a outra mão ía comendo o delicioso prato.
Como as dores não paravam de aumentar, decidi cumprir a segunda parte dos sábios conselhos do Doc e dirigi-me para o hospital.
Aqui chegado, tive que dar os meus dados à recepcionista, para depois esperar uma meia hora para ser atendido.
O correctivo aplicado foi uma data de creme por cima das queimaduras e um saco de plástico a cobrir a mão, para o creme não sujar a roupa. Tratamento hi-tech!
De modo que escrevo estas linhas apenas com o indicador direito e a outra mão enfiada num saco de plástico. Por este motivo, a actualização dos Day 13 ao Day 23, por ter muito para ser escrito, vai ter que esperar. Mas vou tentar recuperar rapidamente. A mão e o blog.

06 dezembro 2006

Intervalo

Devido a presenca dos amigos em Londres e da consequente falta de tempo, apenas na segunda feira, dia 11, sera feita a actualizacao do blog.

Voltem, pois ha muito a contar...

30 novembro 2006

Day 12 – Escravatura Branca

Celebram-se agora em Inglaterra, os 200 anos do fim oficial da escravatura neste pais.
O Primeiro Ministro Tony Blair fez um discurso, a proposito da ocasiao tao assinalavel, em que essencialmente condenava qualquer tipo de situacao de escravatura, passada ou presente, lamentava a ocorrencia oficial da mesma ate 1806, mas como bom ingles que e, em nenhum segundo pediu desculpa aos povos negros pelos anos a que foram sujeitos a todo o tipo de tratamento indigno de seres humanos.

Para que nao haja margem para duvidas, sou totalmente contra todo e qualquer tipo de escravatura.
Dito isto, sinto-me a vontade para dizer que nao concordo com aqueles que acham que se devem pedir desculpas em nome de uma nacao, por actos praticados seculos atras, contra racas, credos, sexos, etc, pois estariamos a entrar na pescadinha de rabo na boca, em que todos os paises teriam que pedir desculpas por algo. E quem seria o primeiro?

Mas este assunto veio-me a cabeca, nao para reflectir sobre as razoes e implicacoes da escravatura, mas sim, por eu me achar vitima de escravatura branca.

Ja vos falei que entro as 8:00, so tenho uma hora para almoco da qual metade passo a trabalhar, so tenho dois intervalos de 10 minutos, sendo que o da tarde foi conquistado ha 3 semanas atras pelos meus colegas, e nao tenho horas de saida. Para agravar ainda nos mandam trabalhos para casa, com umas leituras obrigatorias.
Sr. Blair, olhe que a escravatura ainda nao acabou, pa!

Day 11 – Saga da Policia: The End

Depois de um dia de trabalho extenuante, terminado as 19:30h, desloco-me a esquadra da policia pela quinta vez.

Quando chego, tenho que esperar que um negro algo efeminado, vulgo rabeta, acabe de fazer a sua participacao a policia. Como nao tinha nada para fazer e a acustica da sala era boa, mesmo para um surdo como eu, pus-me a ouvir a conversa do tipo, ja que a policia de servico estava claramente a conter o riso. Coitadito! Entao nao e que o rapaz tinha sido abusado e logo por uma mulher? Nao ha direito! Deus da nozes a quem nao tem dentes.

Chegou a minha vez e, fiz logo questao de mencionar que era a quinta vez que la ia e que de la nao sairia sem o relatorio ficar feito. A mulher, desta vez, foi paciente, foi fazendo as perguntas que tinham que ser feitas e foi tomando as suas notas muito profissionalmente. Os elementos que me iam sendo pedidos, ja os tinha todos numa pastinha, os quais foram todos fotocopiados.
Ficou, assim, finalmente, feita a queixa na policia. Nao que eu esteja a espera que consigam descobrir quem me burlou, mas foi uma maneira de por para tras das costas este triste episodio da minha estadia em Londres.

O curioso e que quando deixava a esquadra, dei por mim a pensar: “Olha! Afinal tambem eu fui abusado por uma gaja e nem sequer gozei!!!”

28 novembro 2006

Day 10 – Uma boa noticia

Parece que o S. Pedro nao gostou muito que eu tivesse referido a dita cuja dele, pois hoje de manha brindou-me com uns salpicos de chuva. Mas nada que me obrigasse a usar o umbrella. O meu blusao com capuz tem servido para as encomendas.

Tive hoje uma boa noticia: a concretizacao do que ja se desenhava ha alguns dias, mas que so agora se confirmou – a vinda a Londres de tres bons amigos, a Tecas, o Miguel e o Vilela, para passarem ca uma semanita.
Para que esta feliz ocasiao se tenha proporcionado, muito contribuiu, mais uma vez, o meu anfitriao ausente, o Miguel, pois autorizou a estadia deles na sua casa, fazendo-os poupar umas significativas Pounds. Como nunca e demais: obrigado Miguel!

A Tecas e a sua empresa de organizacao de eventos, a TPO, que quase rivaliza com a minha propria, a OTM (para quem nao sabe: Organizacoes Tiago Mariz), ja pos maos a obra para que a semana seja bem preenchida de idas aqui e acola, de certeza sempre pelos melhores precos, quica ate de borla.

Um programa que ja esta mais ou menos alinhavado, mas pela Margarida, e uma ida a um mercado daqueles tipicos de Londres, onde se compra de tudo e mais alguma coisa por bons precos, seguida de uma visita a Tate Modern. Consta que esta ultima e uma experiencia a nao perder de todo.

Outro programa, este agora tratado pelos boys, para o qual ja foram adquiridos os direitos de entrada, vulgo bilhetes, e uma ida a Stanford Bridge, para ir ver o Mourinho, perdao, o Chelsea-Levski de Sofia.
Para que tenham uma ideia do custo de vida desta cidade, os bilhetes custaram £45 cada, ou seja, cerca de 68,00€, PORRA!!!

Mas nao tenho duvidas que sera uma experiencia inesquecivel, estar num estadio ingles e sentir a emocao, a intensidade e a vibracao com que os supporters vivem um jogo de futebol. E nos vamos estar la! E nao me esquecerei de levar a bandeira de Portugal, assinada pelo pessoal amigo. Fiquem atentos a TV, pois pode ser que eu apareca a agita-la freneticamente (nada de segundos sentidos, por favor).

27 novembro 2006

Day 9 – Um dia banal

De que e que se fala, quando nao ha assunto para falar?
Como o tempo costuma ser o recurso comum nestas ocasioes, e dele que vou falar.
Constou-me que o tempo aqui em Londres era sempre a chover, ou com o ceu cinzento.
Posso-vos dizer, que desde que cheguei, apenas por uma vez andei munido de guarda-chuva e mesmo assim nao tive necessidade de o usar. So num ou dois dias e que apanhei para ai umas 7 gotas e meia de chuva, que devia ser o S. Pedro a sacudi-la.
Ate o sol tem aparecido de vez em quando, para afastar os tons cizentos que caracterizam a cidade.

Agora mais curioso ainda, e que a temperatura tem subido do dia para a noite, encontrando-me eu, as horas a que escrevo estas linhas (21:40), de camisa e blusao.

Constou-me que ai por terras lusas, tem caido o Carmo e a Trindade, com chuvadas, cheias e inundacoes. Sera que houve uma mudanca cosmica qualquer, que trocou os climas dos dois paises? Nao querendo parecer egoista, confesso que nao me importaria nada com isso, agora que vou fazer daqui a minha home.

De resto, o dia foi tao banal, que nao ha mais nada a contar. Certamente, muitos outros dias banais ocorrerao, mas vou tentar trazer sempre um qualquer assunto a baila.

26 novembro 2006

Day 8 – Almoco de boas vindas

O telefone de casa toca, o que me faz acordar sobressaltado.
Era a Margarida, amiga do Miguel, que simpaticamente se disponibilizou para almocar comigo, para eu ficar a conhecer mais alguem aqui no estrangeiro.
Levou-me a um sitio giro, que tem uma mistura estranha de restaurante tailandes e um pub ingles.

Sentamo-nos a mesa, e a empregada disse-nos que as bebidas tinhamos que as ir buscar ao pub, pelo que eu me levanto para as ir buscar e pagar, quando me apercebo que me tinha esquecido da carteira em casa. Bonito! Que bela impressao com que a Margarida vai ficar de mim!

Tirando esta minha gaffe, a comida estava boa, a conversa fluiu e a companhia foi deveras agradavel, durante as mais de tres horas que la estivemos.

Obrigado Margarida.

Day 7 – Historia a Tiago

Acordo ressacado e vou as compras para casa. Vou para o Galeao para ver o Portugal-Georgia em Rugby e depois vou para um Cyber Space para escrever os meus posts.
Os Cyber Spaces aqui em Londres parecem cogumelos, ha-os em toda a parte e estao sempre cheios, deve ser uma mina, esta sempre a pingar!

Volto para o Galeao para ver o Benfica a ganhar ao Maritimo e deixo-me por ali a beber umas belas Super Bock.
Perto das 10h, e ja bem aceso, decido levar a minha carcaca para o centro de Londres para ver as vistas.
A rabula e a mesma, vou percorrendo as capelinhas e metendo conversa aqui e ali.
Conheco umas miudas giras, que dao alguma bola, mas nao aquela que eu queria...

Perto das 3h e ja bastante grosso, ponho-me a caminho de casa. Aqui chegado, no momento em que abro a porta do predio, ha um gajo que entra comigo.
Eu digo-lhe que ele nao pode entrar, ao que ele me responde que esta numa festa no res do chao. “Se me levares para a festa, eu deixo-te entrar no predio”, disse-lhe eu. E la fui eu para a festa do meu vizinho, que tinha a casa completamente de pantanas, com garrafas, latas, cigarros, etc., tudo espalhado pelos cantos da casa, e os convivas, ainda mais grossos do que eu, arrastavam-se por ali.

Como ja nao havia cerveja, fui buscar algumas a casa, o que gerou logo uma onda de simpatia para comigo, que se prolongou ate as 5:30 da manha.
Aqui sim, diverti-me bastante, mas claro que nao me ofereci para ajudar a limpar a casa no dia seguinte.

Day 6 – A primeira saida a noite

Fiz o meu intervalo para fumar as 16:13. A Boss veio logo avisar que o intervalo so pode ser das 16 as 16:10! Ate parece Portugal.
Fiquei a saber que os nao fumadores nao tem direito a intervalo. Como diria o Asterix: estes bifes sao loucos!”
Tenho colegas que comecaram a fumar so para terem intervalo.

As sextas feiras o trabalho acaba as 17:00 e fomos todos para o Pub beber uma jola.
A seguir, fui logo tentar apanhar o metro para casa, mas como toda a gente deve sair a mesma hora, so consegui entrar para o sexto metro que passou.
Dentro do metro passa-se algo curioso: junto as portas parece que estao todos como sardinhas em lata; no espaco entre as portas, o pessoal vai a vontade, a ler jornais, e o pessoal ca fora a tentar entrar para as carruagens.

Chego a casa e comeco a fazer uns telefonemas para ver se arranjo companhia para a night. Ninguem esta disponivel, por isso faco-me a vida sozinho, logo as 6 da tarde.
Consigo beber o meu primeiro cafe decente, num restaurante italiano, claro.
Vou saltando umas capelinhas e em cada uma delas vou bebendo uma half a pint.
Vou metendo conversa com esta ou com aquele, mas so os ebrios se mostram amigaveis, va se la saber porque.

Por volta das 11h, ja com algum fogo no rabo, dou por mim na zona de Liverpool Street.
A esta hora os Pubs fecham, tem que se passar para os bares, onde me ponho a dancar no meio dumas badalhocas bebedas.
A uma da manha, hora de fecho de alguns bares, e apos mais umas quantas pints, o badalhoco bebedo sou eu.

E agora como e que vou para casa se nem faco ideia onde estou? O metro ja nao ha. Os autocarros nao domino. O taxi ia custar-me 30 Libras. So me resta uma solucao: vou a pe!
Depois de andar uns bons quilometros, aumentados pelos esses da minha trajectoria, chego por fim a um ponto central onde peco ajuda para apanhar o bus certo. Ha dois gajos que dizem que vao para a mesma zona que eu e que me indicarao onde eu devo sair.
Como estava com o grao na asa, adormeci no autocarro, mas os tipos acordam-me a tempo.

Com as voltas todas que dei, cheguei a casa quase as 4 da matina! E sozinho, porra!!!

Day 5 – Tudo ao contrario

Agora que ja comeco a dominar os transportes para o trabalho, a coisa ja se faz mais facilmente. O problema ainda e atravessar as ruas. Olho primeiro para que lado mesmo? E isso e as portas a dizerem Push. Estes gajos e tudo ao contrario!

Na minha pausa da manha, apos fumar o meu segundo cigarro consecutivo, dou por mim a pensar que quando ja estiver em velocidade de cruzeiro no trabalho, que vou gostar de o fazer.
Fiquei entretanto a saber que todas as sextas ao fim da tarde, vou ter reuniao de empresa no Pub da esquina. E eu que nao gosto nada destas coisas...

Tambem o Jantar de Natal ja esta marcado para dia 15 de Dezembro, num hotel em Brighton!
Vou-lhes mostrar como se bebem as pints de penalty!

Fui almocar meia hora mais tarde do que o meio dia e cheguei eram 13:07. Imediatamente, telefona-me a Boss a dizer que eu tinha que ter almocado entre as 12 e as 13. Fuck you, pensei logo, mas acabei por dizer: “I’m really sorry, Boss, let me kiss your ass”.

A noite voltei a esquadra e quando parecia que a coisa ia avancar finalmente, eis que o cop me diz que falta a porra do codigo postal da rua onde a ladra levantou o dinheiro, portanto, ainda vou ter que la voltar, vamos a ver quantas mais vezes.
E ainda dizem mal da nossa policia.

Foi aqui que decidi comecar a escrever as minhas desventuras em Londres.

Day 4 – A Deusa

O meu amigo Miguel, que esta com o pe partido, vai para Lisboa, talvez so voltando no ano novo. Fiquei so, portanto, em casa de alguem que mal me conhece. Obrigado pela confianca, Miguel.

Tudo comecou quando em Outubro ele, no aviao que me trouxe a Londres para a entrevista, me emprestou o jornal para eu ler. Quando lhe devolvi o jornal no final da viagem, trocamos umas palavras e logo descobrimos que os nossos irmaos foram vizinhos e amigos em Angola. Este mundo e pequeno mesmo!

Depois de mais um dia duro de aprendizagem, fui para o Galeao ver o Sporting a jogar com o Inter, juntamente com os habitues da tasca, os quais ja os cumprimento a todos como se os conhecesse ha anos, incluindo a D. Manuela que ja me convidou para ir comer umas iscas a casa dela.

A Ana, dona do Galeao juntamente com o Toni, mostrou-me umas fotos da filha canhao dela, modelo de profissao, que me deixaram de queixo caido e com alguma baba a querer escapar do canto da boca. Definitivamente vou ter que voltar ao Galeao muitas vezes, para ver se conheco aquela deusa.

Day 3 – Saga da Policia III

Problemas no metro. Chego 12 minutos depois das 8:00. A chefe diz-me logo que tenho que telefonar a avisar que estou atrasado. Aqui nao se brinca!

Na hora de almoco, apos telefonar para a empresa da ladra onde ninguem ouviu falar no nome dela, Melisa Stevensen, vou pela terceira vez a esquadra e desta vez dizem-me que tenho que saber se o dinheiro foi ou nao levantado, porque se tiver sido e um problema da policia portuguesa!!! Ah grande British Police! Estou a comecar a dar em doido.

Como e dia de Champions League, vou ao Galeao ver o Benfica espetar tres aos coxos dos dinamarqueses.

Day 2 – Trabalho Novo

Para ir para o trabalho, tenho que apanhar um autocarro, depois meter-me no tube e ainda ter que andar uns 10 minutos.
Sou recebido pela chefe, que e uma indiana podre........ de gira e de boa. Que azar: e ela que me vai dar umas licoes, perdao, a formacao.
Sou apresentado a todo o pessoal. Miudas giras so praticamente a chefe, portanto nao vai ser aqui que me vou safar.

Fico logo a saber as regras da casa:
- Horario das 8:00 as 18:00(???)
- 2 intervalos de 10 minutos cada para fumar: um as 10:15 e o outro as 16:00.

O trabalho e sempre a abrir, nao ha tempo para descansos.
Almoco: uma sandes manhosa e uma coca-cola. O preco nao digo, que aqui e tudo exorbitante, vou ter que comecar a trazer umas sandes de casa!

No fim da jornada volto a esquadra da policia: agora dizem-me que tenho que telefonar para o suposto emprego da gaja. Sera que ela/ele alguma vez trabalhou la? Eu aposto que nao.

25 novembro 2006

Day 1 – A banhada

Apos uma noite bem dormida na cama insuflavel, eu e o Miguel, fomos a morada da casa cujas chaves ainda nao tinham chegado. Procuramos e procuramos, andamos de um lado para o outro, perguntamos as pessoas da zona e, surpresa das surpresas, nada! Nao existia nenhum numero 75 da St. James’s Street. Grande banhada!!!
Nao posso dizer que nao estava ja a espera, mas a desilusao foi grande, pois ainda tinha a esperanca de ter havido um atraso na entrega das chaves.

Percebi entao que tinha sido um grande otario e por isso dirigi-me a esquadra da policia. O tipo que me recebeu, muito simpatico, informou-me que o sistema informatico estava em manutencao, pelo que eu teria que voltar noutro dia.

Isto e que foi entrar com o pe errado.

Decidimos ir almocar a uma tasca portuguesa, com certeza, onde comi o meu primeiro English Breakfast, que tem feijao, salsicha, bacon, ovo estrelado, cogumelos, tomate cozido e tostas com manteiga. Not bad at all!

Depois fomos passear um pouco em Oxford Street, em que pareciamos um casalinho de namorados! Eu explico: o Miguel esta de muletas, pelo que eu passei o dia a abrir-lhe as portas, a puxar-lhe as cadeiras, a acender-lhe os cigarros, etc. So nao o pus a mijar, claro esta!

Fomos entao para casa ver jogos de futebol ingles e eu comecei a fazer os preparativos para o meu primeiro dia de trabalho.

Day 0 – Chegada

Acordo as 2 da tarde com uma ressaca brutal, sem perceber porque! A Maezinha ja estava preocupada a pensar que eu ia perder o aviao.

Almoco com os meus Pais a minha ultima refeicao portuguesa, apos a qual me levam ao aeroporto.

Ali chegado, despeco-me dos meus Pais. A minha Mae nao conseguiu conter umas lagrimazitas, o que tambem me emocionou.

Entretanto, recebo uma chamada do meu amigo de Londres, o Miguel, que havia conhecido aquando da minha ida a entrevista aquela cidade. Ele diz-me que as chaves da casa que eu tinha alugado e pago pela internet, que era suposto serem enviadas para casa dele, nao tinham chegado a hora combinada. Estranhei, mas pensei tratar-se de um simples atraso no servico de entrega.

No Free Shop compro dois pacotes de cigarros, pois este vicio sai muito caro em Londres, e dois adaptadores de corrente electrica: um para o despertador e outro para o carregador de telemovel.

Quando chego a Londres, fui deixar as malas em casa do Miguel em Notting Hill, pois as chaves da minha casa teimavam em nao aparecer. Comeca a cheirar mal...

Depois, sigo directo para a tasca Galeao, onde os Tugas se reunem para ver a bola.

Como um belo franguinho assado acompanhado dumas Super Bock evejo o meu Benfica perder com o Braga, para meu grande desgosto. O dia esta mesmo a correr mal!

O Miguel, muito simpaticamente, convida-me para dormir em casa dele, numa cama insuflavel super confortavel, colocada de improviso no meio da sala.

23 novembro 2006

Day -1 Despedida

09:30 - Acordo em sobressalto a pensar que e o ultimo dia em Lisboa e ainda tanta coisa por fazer. Nao vou conseguir de certeza!

Comeco por tentar terminar finalmente as arrumacoes dos imensos caixotes trazidos da casa de Carnaxide, que me tem dado cabo da cabeca nas ultimas semanas, mas sobretudo da cabeca da minha Mae, por pensar que eu ia deixar-lhe a casa de pantanas antes de me ir embora.

15:30 – Terminei!!! Agora ja so falta ir a empresa, acabar de organizar a jantarada de logo a noite e......... fazer a mala para um mes.

17:00 – Chego a casa e ponho-me logo a fazer telefonemas e a enviar emails, para aqueles que ainda nao confirmaram a ida ao jantar.

18:00 – Comeco a fazer a malita que tenho que deixa-la pronta ate as 21:00, pois amanha a ressaca nao me vai permitir ter cabeca para isto.

21:00 – O stress esta ao rubro. A mala esta pronta e a abarrotar pelas costuras. Agora e tempo de me por girinice para a Farewell Party.

21:15 – A minha boleia ja chegou. Vamos a eles, carago!

21:30 – Chego aos Meninos do Rio. A malta comeca a chegar e eu logo a cravar 20 paus, antes sequer de os cumprimentar. O stress esta no maximo.

O jantar vai decorrendo em ritmo de bolinha de neve, com as canecas e a sangria a jorrarem em catadupa. Neste momento ja estou mais relaxado. A coisa promete...

Sao-me oferecidas umas lembrancas que muito me emocionaram (snif, snif): uma bandeira de Portugal, uma camisola da Seleccao, ambas cheias de dedicatorias, e um album de fotos de muitos bons momentos passados entre amigos.

Seguimos para o BBC, com a visao ja muito turva, situacao que piora com a rodada de shots que me custou os olhos da cara.

Depois, do pouco que me lembro, foi muita euforia, muitos beijinhos, muitos abracos, muitos desejos de felicitacoes e muitas despedidas.

Gostei muito desta noite, de estar com os amigos numa ocasiao tao especial para mim. Obrigado a todos.